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Thursday, January 30, 2014

Ainda bem!

Esta semana (pra ser mais específica, hoje mais cedo), ocorreu um fato que me deixou um tanto estupefata. Detalhe: eu não estava sozinha nesse momento. Nunca fiquei tão chateada com alguém que realmente não conheço, e esse tipo de atitude, queiramos ou não, ainda é bastante latente no Brasil.

Vamos aos fatos: estava eu estudando as matérias pro vestibular do fim do ano, quando de repente o telefone toca. Verifiquei o visor do aparelho e notei que a ligação era de um número de São Paulo (não vem ao caso citar o número por questão de respeito e integridade). Atendi o telefonema, e começou a conversa...

Eu: Alô?
Atendente: Bom dia. Aqui é a empresa *****, e gostaria de falar com o sr. J. Avelino.
Eu: Ele não se encontra, muito menos mora aqui.
Atendente: Então, eu poderia falar com o irmão dele?
Eu: Ele não está em casa.
Atendente: Poderia me dar mais algum número de contato para falar com ele?
Eu: Desculpe, não estou autorizada a dar.
Atendente: E tem algum recado?
Eu: Se quiser deixar, fique à vontade.
Atendente: Peraí, você realmente não está autorizada a dar outro número, ou você é analfabeta?

Depois de alguns instantes de silêncio, quando eu iria responder, ela disse: "compreendo. Tenha um bom dia", e assim desligou o telefone sem cerimônia.

Quando pus de volta o telefone no gancho, a mulher que trabalha uma vez por semana na minha casa mostrou-se indignada com o comportamento da atendente no telefone. Detalhe: ela ouviu a conversa inteira, pois o telefone curiosamente estava no modo alto-falante. Não tiro a razão dela em me ter dito que devolveria a ofensa com a mesma moeda, mas não sou esse tipo de gente que compra briga com desconhecidos, principalmente quando mostra que não tem respeito pelo outro. É óbvio que me senti ofendida e quis muito ter aquela famosa "carta na manga" pra dar uma resposta bem desaforada, e simplesmente não soube o que dizer.

Parei um instante pra pensar direito sobre o fato, concluí que fiz a melhor coisa naquele momento. Eu bem poderia tê-la chamado de diversas formas detestáveis (inclusive com palavras de baixo nível, os quais não uso no meu cotidiano), dizer que ela tinha qualquer coisa menos educação, etc, etc, etc..., mas mantive o silêncio. Aliás, não me troco com desconhecidos, ainda mais quando vêm com esse tipo de falácia. Pouco me interessa o sotaque caipira da atendente no telefone, o que não admito é a persistência da ideia de que toda pessoa que mora no Nordeste do Brasil é analfabeta, desinformada, folgada, burra e idiota. Tudo bem que existe gente assim em todo canto, mas isso não é A regra. Entendo também que é bastante disseminado por aí que o conceito de que essa região do País é O problema, mas vale lembrar que há por trás de tudo isso a POLÍTICA DA DESIGUALDADE, e isso remonta à era colonial. Desde sempre o povo daqui "de cima" sofre esse preconceito, e o bom é que a gente não se deixa abater. A gente reconhece que é bem superior a tudo isso que falam a respeito, e o que a gente vem conquistando econômica e politicamente no cenário nacional é resultado de trabalho árduo - e como qualquer outro povo a gente tem potencial de sobra, basta instigar e investir.

Antes que alguém venha me condenar como preconceituosa, deixo claro que tenho nada contra o pessoal centro-sulista (e realmente não tenho o que falar sobre isso), mas detesto comportamento e discurso depreciativos, afinal ninguém tem o direito de destruir a personalidade de ninguém. A máxima cristã de fazer aos outros o mesmo que gostaria de receber deve ser posta em prática em todo tempo e lugar, independente da situação. Parece papo de hipócrita, mas posso afirmar sem medo que o mundo não melhora apenas porque ainda existe quem fira a dignidade do outro, além de fazer juízo de valor se achando a única referência de retidão. Ah, me poupe! Todos somos passíveis de falhas, e enquanto imperarem o desrespeito ao próximo e o egoísmo, nunca seremos capazes de construir um futuro melhor, a começar por hoje. É verdade que é difícil romper uma mentalidade há muito enraizada na sociedade, mas não acha que já é hora de mudar essa realidade? O que ainda falta pra isso? Só o tempo será capaz de responder a essas indagações...
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Fui! chau :*

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