Um dia desses lembrei-me de um fato que era muito recorrente na minha infância. Digamos que foi um flashback... Quando eu era 1ª série, a professora costumava escrever algo na agenda escolar, e pedia aos alunos que tinham se comportado bem durante a aula do dia para escolherem um carimbo. As opções eram várias; eu nunca escolhia “parabéns, excelente!”, “muito bom!”, “estude mais!” ... de todos eu sempre escolhia “você é capaz!”. Certa vez, a professora, curiosa, veio me perguntar: “por que você só escolhe o mesmo carimbo? Que tal um diferente hoje?”; eu respondi: “porque acho que é o que mais me identifica”.
Não sei o que isso significaria para a psicologia, mas, ao meu ver, o recado trazido pelo carimbo era, naquele tempo, de bom tamanho, simplesmente porque não me achava digna o suficiente para ter um mais “expressivo” na minha agenda. De certa forma, eu entendia que por mais que eu fosse uma aluna comportada, que colaborava com o trabalho dos professores, mesmo às vezes tendo notas medíocres no boletim escolar, sempre achava que poderia fazer mais. Potencial todo mundo tem, basta saber onde tal capacidade é mais facilmente desenvolvida. A mensagem era clara demais para mim, só não sabia como lidar com ela.
O tempo passou, cresci (mas nem tanto em estatura...), tomei novos rumos na minha vida, e aqui estou mais uma vez pensando em um fato não tão recente. Confesso que sinto falta da época em que “você é capaz!” se limitava apenas à mera escolha de um carimbo; hoje faz parte do meu cotidiano, das minhas conversas com as pessoas com quem convivo, chegando até ao ponto de me tirar do sério e me deixar à beira do desespero. Tudo bem que sempre ouço falar que “há tempo para tudo debaixo do sol” e “colhemos aquilo que plantamos”, mas não consegui compreender no que isso vai dar. Bem entendo que a vida é cheia de desafios, e preciso estar pronta para encará-los da melhor forma. Ah, como gostaria de que tudo isso fosse menos penoso!
Enquanto não chego ao cume da montanha do meu sonho, vou me esforçando para me tornar uma pessoa melhor, mais disposta a aprender coisas novas, permitir-me passar pelo processo de metamorfose. O processo é árduo, mas sei que passar por isso é imprescindível porque serve de lapidação do meu jeito de ser. Como diria o literato Fernando Pessoa, “tudo vale a pena, se a alma não é pequena”. Então, para seguir acreditando no que posso vir a ser mais adiante, preciso viver sempre me lembrando desse recadinho com o qual convivo desde criança: você é capaz!
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Fui! chau :*
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