
Ao chegarmos no quarto onde estava, a vimos com uma touca na cabeça (porque está fazendo quimioterapia, e isso faz com que os fios de cabelo caiam). Eu, pelo menos, percebi um olhar mais fundo, sombrio... era mais um olhar querendo dizer "quero voltar pra casa, mas não posso...". Ao ela ver as visitas (eu e minha mãe), abriu um largo sorriso. Fiquei feliz também, pois até então estava com muitas saudades dela, e também nunca a tinha visto daquele jeito... Não quis entrar para não chorar na frente dela. Aliás, ainda não tinha terminado de escrever alguma coisa para ela - era minha desculpa para não ficar ali. Deixei minha mãe conversando com ela, enquanto fui fazer essa tarefa aparentemente difícil. Subi para a sala de estar, e lá fiquei por alguns minutos.
Na sala, abri a bolsa e peguei o papel e a caneta... engraçado, as palavras "sumidas" começaram a aparecer e fluir na minha mente. Fui rapidamente escrevendo... lembro-me bem que no final escrevi que no Céu não passaremos mais por isso outra vez, onde tudo será perfeito de novo, e que ela estava incluída nas orações. Assim que terminei de escrever, dirigi-me ao quarto outra vez, e entreguei o cartão a ela. Como entrei no meio de uma conversa, saí rapidamente. Dali desci para a recepção, e resolvi ler o livro que levara dentro da bolsa. Claro que não foi uma leitura tão tranquila pelo simples fato de pessoas estarem passando o tempo todo pelo corredor. Bom, pelo menos estava fazendo alguma coisa...
Assim que minha mãe desceu de lá, fomos andando até o ponto de ônibus para voltar pra casa. Ela me falou que essa amiga estava internada desde o dia 3 e desde então não recebe visitas. As únicas pessoas que ela mais vê são a mãe (a acompanhante desde que fora internada) e os dois filhos. E ainda estava reclamando por estar com amigdalite e voltar novamente a ficar isolada, sozinha. Bom, pelo menos ela tem onde ficar confortável enquanto muitos não têm onde inclinar a cabeça.
Confesso que acabei concordando com a teoria de que casamentos destruídos por relacionamentos extra-conjugais quase sempre dá em danos sérios à saúde. Observando o exemplo dessa amiga já me diz que a escolha sábia do cônjuge é sinônimo de uma família bem estruturada. (Faltando alguma coisa? está!) Como se diz um provérbio popular, "nem tudo na vida é um mar de rosas"; TODA família passa por provações. O fato é que o inimigo de Deus sempre está à procura de alguém para "fazer a festa" do jeito que bem quer. Não sei o motivo dEle ter permitido que isso acontecesse na vida dela, mas tenho certeza que Ele tem um propósito. Agora resta-me orar por ela e esperar a Sua vontade espelhada na vida dela. E, claro, visitá-las mais vezes assim que puder.
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Fui! chau :*
1 comment:
Clarice Lispector é realmente ótima (:
Obrigada pelas visitas e pelos comentários. Também estou sempre por aqui, gosto muito dos seus textos, eles mostram sempre muito sentimento, isso é bom.
Gostei do texto, principalmente da parte que fala da oração e do seu momento de leitura ;)
bjo ;*
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